Quando sou metade estou só,
Nada, caco de vidro ou pó,
Poeira que se desfaz inteira
Numa corrente de ar,
E à de se espalhar sobre a mesa
Disposta pro jantar.
Quando não estou sou inteiro,
Tudo, arranjos e um riso faceiro,
Perfume de amanhecer
Que se arrasta com o vento
E os primeiros raios frios da manhã.
Mas nada importa,
De hora em hora eu revejo o agora,
Por hora sou metade; por hora sou inteiro,
Pó, poeira e um riso faceiro,
Pois no fim eu sou os dois,
Metade-inteiro.

Nairon J. Alves
Novembro, 17, 2012 às 01h19min.