Tempo que separa, repara e liberta,
Tempo que espera e não espera,
E marca a face com o cansaço
Do tempo que vivemos,
Caminhamos ou corremos
Com um montante de sonhos nas mãos.
Tempo que nos é lembrança
Nas marcas suaves da face de alguém,
Ou no sorriso das crianças que fomos,
Seremos ou veremos por aí,
A partir do amor que a vida construiu.
Tempo que sorriu nas tarde chuvosas
Com um abraço quente
E fez de nós o que fomos ontem
Hoje ou que seremos amanhã.
Tempo que espera e não espera,
Mas que nos faz acreditar que o controlamos,
E que o cantarolamos
Nas canções de Caetano.
Tempo que molda e que muda,
Que faz crescer amor, tão proporcional à saudade,
Daqueles cujo tempo acabou.
Tempo de lágrimas que secam na face
Dando lugar aos sorrisos
E que os desfazem
Para que saibamos que o ontem já é lembrança,
Recordação e nada mais.

Nairon J. Alves
Outubro, 18, 2012 às 12h43min.