– Parte I

Mares de amores, medos e dores
Corações pequenos como as estrelas no céu
Eu simplesmente um marujo
Perdido, aturdido nessa imensidão azul
Guiado por um sorriso qualquer
D’A estrela brilhante do navio
Que viu meus temores e amores
Quando não eram dores, apenas eram
Eram constructos do meu ser
Entre veredas e vales
Sob um sol escaldante e uma lua pálida
E o despertar de tempestades
Sobre os meus passos errantes
Entre aventuras e desventuras de um sonhador
Amor, o que é o amor?
Ouvindo a voz das cantantes do mar
Do mar sem fim da minha utopia
Mesmo que me peça “sorria!”
Como sorrir se a dor que aprendi com a solidão
Me consome por inteiro
E esse meu roteiro incerto pela imensidão azul
Do céu ao mar, faz-me navegar
Navegar de encontro à saudade
E a verdade que sinto
Que sinto no seu brilho, Estrela
A verdade que oculto
E a dor que expresso, é tão mentira
Quanto de certo, o sol brilha mais que você.
A estrela brilhante do navio
Que de mim partiu contra o mundo
No profundo da alma conturbada
E a nevoa espessa que esconde
A verdade sobre os meus amores,
A chave que me liberta dos temores,
E se desfaz dos meus medos
E ainda que seja cedo, será só,
Noite fria, brisa salgada e uma Estrela pra se ver,
E ver sorrir.

– Parte II

E ver sorrir a espuma branca
No doce charme do vento que dança
Na sombra do tempo do silêncio
Ao rugir feroz da tempestade
Eu já não vejo, não tento, saudade
Esse poema torto, de ir e vir de ondas
De mares e se amares a mim
Como as ondas a areia,
E sol que ali se espelha
Dourado, tão dourado, que seu reflexo me encanta
E quem canta a sereia se perde
Sobe a luz que vagueia
Da minha estrela que perece
E sobre mares e areias peregrina
Tão delicada, A Estrela Brilhante do Navio
Tão sutil que me domina
Me fascina com tão pouco
Com seu brilhar fosco
De saudade do que não teve
Ainda que ontem brilhasse mais que o sol
Hoje não brilha mais que o mar
E o seu dançar no ar, e seu sorrir pro mar
Se anuviou.
E meu coração esfogueado
Quis logo regressar,
Pelas veredas que trilei sobre o mar
E desfazer as pegadas na areia
E ainda que fosse e o fizesse
Seria a estrela tão bela novamente?
E se cansada de mim estivesse
Será que apagaria seu brilho?
Me deixaria no escuro?
Presumo, presumo que não
Lagrimas de amor, dor, compaixão
Me ame, Estrela, me ame com verdade
E ainda que se apague,
De mim sobreviva
Quem sabe mais tarde não se aviva sua chama
E uma flor daquele que te ama
A faça voltar a ser
A estrela brilhante do navio.

– Parte III

Ah! A estrela Brilhante do navio
Que de mim conspira um sorriso ou dois
Após um susto, pois, de mim se aquece
E talvez se esqueça às vezes de brilhar
Já não preciso voltar por aonde não vim
Já entreguei todos os sorrisos a ti,
Então dance comigo e encante as irmãs
Para que se enlace e alce voo para o navio de mim.
Ora vejo partir em sorrisos languidos
Por ora vejo de olhares serenos
Cujos pensamentos se transbordam na melancolia
Cuja saudade que fora minha
Já nem a mim pertence mais
Então dance, Estrela, minha
Para que todos a vejam brilhar o azul de seus olhos
Como um ar de vida que preenche nossos peitos.
A minha querida, rainha de todas as noites
Notes que de partida um dia todos estiveram
Um dia todos dançaram e um dia todos morreram
Mas que os amores sempre ficaram
Não tenha medo de sentir
Ainda que seja tão dolorido
Quando amor te faz sorrir, já não existe mais perigo.
Assim que me curo lá dos meus medos e temores
Você, de todos os meus amores
É o único verdadeiro
Já que amor que é amor não machuca
Apenas te faz querer mais um sorriso ou dois, não sei
Para que se lembre de manhã
De acordar mais uma vez.
Como as ondas beijam a areiam,
Incessante sem parar
Minha alma assim anseia,
Por te ver brilhar
Então dance, Estrela minha, como o sol faz para lua
E empreste a mim o seu brilho fosco
Para eu brilhar pra você
Como um amor faz pelo outro,
Num golpe de harmonia,
Na sintonia que eu ouço
Na sinfonia de nossos peitos, forte e devagar
Forte sem parar, forte e sufocante, apenas forte
Como o sorriso, como o sol que nasce pela manhã,
Então, que em todas as noites,
Eu ajude, pois, a brilhar a minha amada
A estrela Brilhante do Navio.

Nairon J. Alves
Julho, 6, 2011 às 21h39min
Dezembro, 18, 2011 às 23h50min