Dói-me a tristeza nos ombros e nos olhos,
Dói-me no peito o vácuo dos sonhos perdidos,
Dói-me tudo, sem sentindo, sem verdade
Arde em meu peito a dor da saudade.
Dói-me a alma que me aprisiona,
Eu que sou dois, uma alma que chora
Uma outra que clama e reclama
Um sorriso perdido, talvez, esquecido
No fundo de um peito que já nem sabe inflar,
E arfar com força e arrancar de vez
A saudade que arde, queima e dói.
Dói-me a cor de um sorriso,
Como memórias desnaturadas
Tudo numa simples coleção de fotos em preto e branco,
Um pouco manchadas;
A cor que decora a minha face, com o rubor de vergonha
O sabor do vinho esquecido entre os demais sabores
E tom da música que já não me faz dormir.
Pois me dói a dois a dor de ser,
E o não ser é que a dor já não é minha,
Por mais doída que seja essa alma minha,
Dói-me na minha calma dessa minha outra alma,
Porque me dói a dor de ser dois.
O que virá a doer depois?
O que será de nós dois?
Dói-me o silêncio e ausência de pensamentos,
Pois já nem sei pensar.
O que me dói é saber que amar
Não é obstante e certamente é sabido
Que amar não tem sentido, cor ou escolha.
Amo-te porque me dói à dor da solidão,
Dói-me tanto o coração, de ver que sou dois,
De braços dados, ao caminhar.
E tu és um, sem um passo, sem um laço, sem um nó,
Dói-me até o anoitecer, por não te fazer dois.
Um eu – Um você.

Nairon J. Alves
Novembro, 26, 2011 às 23h43min