Eu posso ser sincero e sereno como as águas de um rio,
E seguir meu rumo sem muito pesar, pensar, só fluir
Montando uma rota própria de mim,
Entre montanhas e desfiladeiros
Num desafio continuo de desaguar em mares de mim
Assim, singelo na transparência das águas,
Quentes e reconfortantes de um abraço
Entre o gorgolejar do meu fluir e as folhas dos seus galhos,
Levarei sempre comigo flores de lembranças
Daquelas que brotam do desejo de um dia voltar
Assim como eu sei que não sou sozinho,
Porque entre todos os meus caminhos
Sempre encontrarei um braço ou dois de outros rios
Ou riachos, que me acompanharão por um tempo,
Não sei, não conto, apenas deixo correr
Por entre os seixos que cantam, e contam minha história.
Eu penso, somos todos assim,
E quando sol brilhar vou refletir o que eu sinto,
Por entre os espelhos d’água, meus olhos vítreos,
Uma pequena amostra dos meu sentimentos,
Como grãos de areia no fundo de mim.
Por hora, posso ser gelado e profundo
Tão grande quanto o mundo, numa tristeza ou dor,
Mas agora, sou tão esperança, quantos os galhos de planta
Que se debruçam em mim.
Por isso, eu sou como um rio, sincero, fluindo, seguindo, sem fim.

Nairon J. Alves
Novembro, 17, 2011 às 20h34min