Eu posso acordar as folhas com as gotas de orvalho
E me espelhar na superfície de um lago qualquer
Eu posso fingir que não me importo com as coisas que dizem
E não ver o que fazem para eu não saber
Eu posso correr por entre folhas caídas
E me impelir num mergulho, sem medo, em um lago qualquer,
Eu posso fingir que não tenho saída
E não ver, talvez, assim, que eu posso voltar
Mas não posso forçar sorrisos, pois…
Sorrisos são flores, e como flores desabrocham
No primeiro, no terceiro, no ultimo, não importa, alvorecer.
E ao entardecer, se fecham, como eu
Eu que fecho os olhos pra sonhar com sorrisos,
Que sejam tão flores e como flores transbordem de amor.
Eu posso vaguear sem rumo, mas sem perder o prumo da nossa canção
E ainda assim, eu posso chorar em vão por sentir saudade,
Sem exatidão.
Não sei, talvez seja verdade, mas eu sinto o toque,
Um de cada vez
Com tanta leveza e maciez no farfalhar das folhas das árvores.
Eu posso ser triste com uma dose leve de melancolia
E, n’outro dia, ser tão alegre quanto um arco-íres sequer foi.
Só não posso ser passarinho, por não saber voar,
Nem construir meu ninho, pois como passarinho, sou livre,
Livre pra cantar.
Eu posso acordar amanhã de manhã com gotas de sol em minha face
E me espelhar em raios de orvalho nas folhas das arvores,
E correr por entre lembranças perdidas
E te contar que o vento conta estórias de idas e vindas,
De dores e amores perdidos que tentamos esquecer
Tudo isso vindo do todo de nossas vidas.
Tudo porque sou um de cada vez no todo de mim.

Nairon J. Alves
Novembro, 05, 2011 às 03h26min