Quando as palavras cessam
E todas as vozes se calam,
O que fazer com o que sobra?
O que fazer com o eco que ressoa?
A garoa da noite não ajuda a saudade
E a vaidade não permite deixar
Deixar que se vá com a água
E a calma que minha alma clama
Não acalma a dor em chamas,
Nem o açoite a da ausência
E as exigências de um amor.
Entre o avermelha-dor
Das coisas boas e lembranças,
Do dissabor das coisas efêmeras
Aos sabores das coisas etéreas.
E agora que se foi com as águas
Eu sei que nada nunca seria meu.
As minhas lagrimas nos seus sorrisos,
Disfarçando a dor que deveras sente,
E mente… Com o sorriso mais doce,
A voz mais meiga,
E o afago mais abrasivo…
Tudo com apenas um sorriso.
Ilusão, ainda que eu diga que não,
O amor me faz dizer sim.
Deixarei ir com as águas da garoa. Sonho.

Nairon J. Alves
Setembro, 13, 2011 às 17h 54min