Eu sinto falta perdida da dor,
E o amor que colore meus sentidos
Entre os zumbidos de uma nova manhã
Como a maçã que colore o acinzentado
Ou desbotado da minha calma
Calma ou alma apática, mórbida, ou sei lá
Não é possível sonhar quando a dor toma conta?
Apenas se é possível fingir o bem estar que não tem?
Quem não mentiu que está tudo bem?
Efêmeras dores de amores quaisquer
Ao passo que meus abraços já nem são mais,
Ou mais, são braços esticados pro nada.
A angústia que sopra com a brisa clama,
Clama em meu peito apertando a dor
E amor que tira o ar desesperado pra sair,
Mas quem ofertar? A quem despender?
Será que não se pode chorar apenas sorrir?
O amor é um castigo, tanto quanto uma benção
E o frio é um acalento pra dor,
Tal qual, Amor, eu me perca sem pensar,
Talvez eu pare de pensar e comece a sorrir,
No minuto seguinte dançar sozinho,
E por segundos esquecer toda…
Toda essa dinâmica de amar e sofrer,
Ou não ver o que é preciso,
Num regozijo de emoção
Como uma canção que emociona
E toca alma ferida,
E fecha uma porta aberta há tanto tempo,
Impedindo o vento frio de entrar,
E eis que volto a sonhar e me ver não tão só
Ainda que o solzinho apenas esteja voltando a brilhar
Dentro de mim. Capaz de não ser pra sempre,
Mas que se tente sorrir mais, ou faz
De mim o vento que se dissipa sobre o mar,
E se deixa ir, sem mais demora, como a areia.

Nairon J. Alves
Agosto, 24, 2011 às 01h09min