Permeado entre paredes vítreas
E rostos cinzentos de lembranças quaisquer
D’um filme do cinema mudo ou fotografias antigas
De figuras que não pertencem aquele coração,
Olhos aflitos, em razão do saber
Do não saber quem se é
E do amor que se tem e a quem ofertar,
Como lírios que teimam em nascer
Quando acaba o verão,
Ou coração apertado com o desconhecido
Entre cada sorriso languido de saudade
No rosto dos aflitos que esperam,
Ansiosamente, pelo seu floreio verbal
De palavras sobre as lembranças de outrem
E quem quer que fosse, ser não é nada
O querer faz ser, qualquer um que almeje,
Mas a dor de ser o que não se deseja,
Quem quer que seja, sofre em virtude,
E eu que não suje minhas mãos com palavras vis
Sofrer, ainda que de amor, não ocorre a mente
Nem mesmo fingir ser contente,
Agradar não é minha palavra,
Porém, que eu esqueça de mim,
E lembre das paredes e lembranças,
E de toda a esperança que a de se depositar,
Na tentativa infundada de se reaver o ser que se foi.
Uma vez que se deixa ir,
Uma vez que não consegue se manter,
Não vais mais reaver os detalhes que contemplem
O preto e branco do seu, ou meu, ser sozinho,
Mas que mantenham-se de pé,
Ainda que o mundo não seja capaz de girar ao contrário,
A brisa é capaz de soprar, e com ela, talvez,
Traga a dor que causou toda confusão, enfim.

Nairon J. Alves
Agosto, 18, 2011 às 09h34min