Uma profecia mal escrita na história do tempo
Um lamento perdido, um sorriso forçado
Um abraço apertado no meu coração
Eis que fosse o vento, eu que viesse em solidão,
Ar, de vir a respirar e expirar a esperança
Há, há de vir a precisar de todas as lembranças
E das estórias de mal dizer que se contam
E encantam as crianças
Olha uma volta e meia em meio à volta do ponteiro
Era o que era e fosse passageiro
Tão efêmero e errante quanto fosse o tempo
Tão deslumbrante quanto queira minha fala
Fala cuja voz se cala ou se abranda na raiva
Na calma do se tem para por pra fora
E afora fosse afronta de tal miríade de pensamentos
Tão doce quanto fosse sua voz em meus lamentos
Um sorrisinho assim, aqui e acolá
Alegria assim, aqui, ali, advir no caminhar
Da raiva calma de querer à ânsia de se ter
Tanto quanto o ardor da boca seca,
Dos lábios rachados e da garganta ardida incomodam
E eu lanço uma moda pra cantar a minha dor,
E o meu rancor pelo tempo
Que por mal dizer me lançou a profecia
E sorria, ou não, viverei, solidão
No abraço apertado, dado no meu coração.

Nairon J. Alves
Agosto, 02, 2011 às 23h26min