Posso deixar meus rastros, meus cacos
E um passado dolorido
Posso fingir não existir por um minuto
E no minuto seguinte voltar a respirar
Esconder meus pensamentos
Ocultar minha história
Contar estórias que quis vivenciar
Mas não estava lá. Não estar
Não estar triste e com lagrimas nos olhos
Onde todos os próprios gritos urgem
Urgem por atenção a própria dor.
E a cor que se desfaz no salitre das fúcsias caídas
Perdem-se nas veredas da memória
Traídas pelo tempo
Que não arde com os lamentos
Nem gira ao contrário, rápido ou devagar
Apenas insiste em passar
Empurrando-me pra frente
Numa linha congruente de viveres inexistentes.
Posso chorar e em seguida rir da melancolia
Melancolia de sofrer pelo que sofro
E daí, talvez, tirar o gozo que preciso
Do riso dolorido da própria dor,
Embora eu possa fingir não existir
E no minuto seguinte voltar a respirar
Prefiro caminhar e espalhar meus cacos
E deixar meu rastro de vida
Para que se lembrem de mim,
Como quiserem lembrar, sonhar.
Aprendi a quebrar meu coração
Pra saber como colar.

Nairon J. Alves