Preciso de alguém para sorrir pra mim,
Em todas as manhãs de chuva
E em todas as curvas da minha solidão,
Preciso de alguém para me ouvir
Ouvir sobre mim, do mundo,
Do meu inverno imperfeito
Onde o frio das minhas mãos
Desfaz-se no calor dos seus beijos

Eu que era dor, sou tão desejo
Quantos as flores das pradarias
Desabrocham diante dos ventos gélidos
Oriundo dos mares e das inconstâncias
Do meu ser. Será que tenho tanto,
Quanto meus medos me permitem?
Será que sou tão amor quanto fui triste?

Pelas ruelas tortas e labirintos escondidos
Vou cantarolando em reposta
Aos zumbidos perdidos
Amores e voltas e sonhos perdidos
Eu que era cor hoje estou embranquecido
Pela janela de um quadro meio torto
Enfraquecido pelo tempo, meio zonzo
Desfaço-me dos amores e cores

E entre pesadelos e canções
De pessoas do passado
Eis que me despeço dos meus fardos
Para que meus calos descansem
E minha face cansada encante, quem sabe
Um outro alguém que me cative
Com um sorriso qualquer, uma flor
E um trejeito charmoso

Pra que meu sorriso garboso volte a florir
As manhãs e colorir as pradarias
Onde minhas flores floriam
Antes desse meu inverno de solidão.

Nairon J. Alves