Quero ser tanto que de tanto querer nada sou
Quero tanto que por tanto querer nada tenho
É um jogo secreto de sentimento e alma,
Um jogo obsoleto de verdades e amargura.

Despi meus sentimentos como uma capa,
Me desfiz dos meus medos… Passa tempo, passa água,
Nada do que sou capaz, serei por mim
Um brinquedo imaginário de sonho e alegria, ou não.

E assim já era aos meus dezessete anos, não mais,
Tudo, mas tudo mesmo era vida, negação,
Iludido por mim mesmo, desacreditei, risos,
Piso em cacos da minha outra parte, contratempo.

Meu alento, meu lamento, é tudo a mesma coisa,
Só muda a cor de ser, de crer, consegue ver? Ver?
Eu vivo a dor de quem não vive, eu vivo, eu vivo em crise,
Nem que viver seja um fardo, desisto, fracasso.

Eu sou triste por natureza, não vejo amor, jamais beleza,
Acredito na meia verdade proposta pelo seu falso amor,
Ao menos tento, para o meu contento, sonho em tentar
Como se mudar meu ritmo mudasse algo, sigo assim.

Eu vivo da magia negra do amor que não tenho, nem terei,
Eu vivo da arte de ressuscitar, pois sou divino, meu destino
Minha arte de sonhar em poder, amar, ter… Não sei,
É como um despertar, lúcido ou louco, tampouco importa.

É uma vida execrável, desnudada de pudores, atores
Forjamos sentimentos, como se não tê-los enfraquecesse,
Enlouquecesse, sei lá pela segunda vez,
Há coisas sobre amor e sanidade que deixei de lado, é um fardo.

Ser sentimental, poeta, coisa e tal, não é pra mim. Sinto, sim,
Mas sentir não é mutável, controlável, ou coisas do gênero,
Eu sou verdade, dor, sombra e cor, essas coisas da vida,
Quer vir? Me siga, como se meu querer fosse algo, não ser.

Não é possível voltar dizer desejo, o que almejo? O que almejo?
Repetições bobas, eu me destruo, prosa, papo furado,
Pergunto-me outra vez: o que eu fiz? O que almejo?
Tempo perdido com repetições.

Me jogo em vão para as estrelas, sonho acordado, ou não
Destruo desejos alheios, só por saber mais. Será que sei?
Sou covarde por admitir, fraco por sentir, mas no fim,
Tudo não passa de palavras jogadas ao vento.

Como disse em outro momento, meu alento, meu lamento,
Medo de ser feliz. Mas, medo de ser feliz?
Eu nunca quis, eu jamais quis,
Como se palavras falassem apenas a verdade, nosso reflexo.

No fim de tanta mentira e argumentação,
Joguei no vento, palavras, sentimentos, perdi meu chão,
Era tudo uma grande brincadeira, nem se quer existi,
Isso não é verdade, eu sou irônico, ácido, iludido, sórdido, perdido…

Versos e mais versos e outros versos mais de confusão pessoal,
A essa altura já estou chorando, por ser quem sou,
Não quem quero ser, pois por querer tanto não sou capaz,
Sou dor, ou não sei quem sou, apenas sei ser, ou tento.

É como brincar de gato e rato, dentro de mim,
Uma batalha interminável para controlar o incontrolável,
Eu consegui, me enganar tanto que minha verdade já deixou de ser,
Consigo me perder em devaneios, o que me diz?

Um minuto de silêncio, pois acabei de morrer, o que você sente?
Nada além de compaixão (mais lágrimas em meus olhos),
Em algum ponto você se identificou com o meu pensamento,
Repito pela terceira vez, meu alento, meu lamento.

E, tudo o que quero neste momento é a paz de viver minha morte.
Boa noite, boa sorte.

Nairon J. Alves