Meus sorrisos dizem o que eu preciso
O brilho nos meus olhos é inventado
Na boca um gosto amargo
Na mente um desespero familiar
E se eu sofrer? E se eu chorar?
Eu me perco em passos para todos os lados
Eu finjo gestos ensaiados, cantarolando…
Cantarolando canções de ninar
Tentando dissipar toda a minha solidão.
Se dispuser a sonhar e inventar uma realidade
Coragem, uma realidade que não é minha
Mas… Talvez, quem sabe, pudesse…
E se meu sorriso disser verdades
E se… Tantas suposições
Tantas quanto estou acostumado a supor
Quem sabe se eu sobrepuser à imagem
A imagem do coitado a um anjo sedutor
Serei eu tão divino quanto gostaria
E sorriria, pois quem sabe um dia
Se não fingisse, feliz seria, mas não tão triste
Dissolveria a minha dor no calor de um abraço
Àqueles bem apertado e uma xícara de chá
Não um chá qualquer, um de amor
Com sabor doce das manhãs de primavera
E tardes de inverno com vento frio e céu azul
Pois, posso sonhar e afagar nuvens
Afogar medos, abandonar tristezas
E seguir, sorrindo. Acordar
Com um bocejar estranho de quem viveu tudo
Mas não é nada, e com o passar do tempo
Olhar pro mundo, e se perder com vento
Na luz do sol e no amar do mar. Momentos.

Nairon J. Alves