Ser pra mim o que ninguém foi
Rir de mim o que jamais ninguém viu
Eu que sou um, serei dois, pois
Pois meu reflexo grita
E os ventos me explicam o que devo ser
E nessa gana de ser o que não foram
Fora os sonhos de ter alguém
Quem, talvez, eu não seja
Pois chorar no ato de um abraço
Não dado, não é dor, nem pecado
É o silencio tentador dos sentimentos
Dos sentimentos que não compartilhei.
Eis aqui a prova que amarei outra vez
Aliás, melhor falar, que amando estou
Ou, meu próprio amor já não vale mais.
Mas pelas veredas encantadas do meu ser
Irei saber como cantar num sussurrar
Mentiras de amor, ou sonhar. Dor,
Por ser só eu e meu reflexo
Que faz de mim um bonequinho
Um ser sozinho, que apenas quer
Um abraço apertado com amor.
Por favor, mais um café, eu sinto frio.

Nairon J. Alves