Usar alguém como eu, alguém que saiba o que sinto,
Olhar para alguém como eu, saber através dos olhos sua dor,
Minha dor, chorar de verdade quando sorrir é um fardo,
Existir, quando a vida é mais inexistente do que os sonhos.

Saber de alguém que assim como eu finge ser feliz só por ser,
Às vezes por acreditar demais se torna realidade,
E quando a realidade se desfaz sofre, por não ser o que se é,
Vida quebrada de diversas maneiras, verdade, brincadeira.

Alguém que se diverte com pouco, sonha com muito, e nada tem,
Saber ser, sem ser a dor, por si só sofre, tristeza,
Andar, sem rumo, perdido, vagando em todas as direções,
Sem ser, sem ter, vivendo apenas por viver.

Usar alguém como objeto, defesa, sanidade, incerteza,
Forjar a própria felicidade, e no fim mentir, beleza,
Sabendo que nas entrelinhas espremidas só se é o ser doente,
Gente, contente, medo, enigma da mente.

Por fim, excluir todas as palavras tristes desses versos,
O que te resta? O que me resta? Lamento,
Ser o que é por si sofrer, dor de viver ou morrer, rir por prazer, ter,
Nada de idas e vindas, apenas estar, realidade, utopia, sei lá.

Ser o que por si só sofre, ser o que é por si só é: realidade,
Vida de brincadeiras, de prazeres, de meias verdades,
Usar alguém que assim como eu sofre,
Alguém que sofre o mesmo que eu. Conforto.

Nairon J. Alves