Eu adoro toda essa inconstância
Onde palavras não ditas são destiladas como veneno
E a incerteza de ser poeta conta com a sinceridade,
Como se cada palavra contasse uma música diferente.

Eu gosto do cheiro verde, covarde, que se esconde
E não se mostra, fica ali, escondido, completando o cheiro das flores,
Assim como a manhã enevoada ou a noite pálida com lua,
E os vaga-lumes: pisca; pisca; pisca (…), nada além disso.

Suave, suave, corre água, da chuva, escorre na terra chega ao riacho,
Aquele som, aquele som de água fluindo, ah!, e o cheiro, o cheiro da terra,
E com toda agilidade, passa pedra, passa pedra, as minhas repetições,
Suspiros, suspira comigo, calma, melancolia, sinto o gosto da terra,
A grama esta tão verde, vamos nos sentar, não importa, roupas secam.

Pena que o poeta morreu, a caneta em sua mão tombou,
Eu adorava toda aquela velha eloqüência que ele pregava
Sim: aquela onde ele o citava como morto e que todo amor não é normal.
É tão simples, basta sentir, as palavras cantam,
Eu que pensei que você ouviria a doce e melodiosa voz.

Não precisa ter sentido, era tudo o que eu queria dizer,
Pela voz de alguém escutei, gozas da mais pura alegria, sem euforia,
Iremos com calma como água, o verde, as flores e o poeta morto,
Que te conta toda essa fantasia de viver e morrer feliz.

Nairon J. Alves